31 de mai de 2011

A guerra do livro

Autor: Arnaldo Niskier
Fonte: Folha de S. Paulo

Fala-se com insistência no oferecimento de cesta básica de livros para classes populares, mas questões institucionais precisam ser logo resolvidas.
Há controvérsias sobre a lei de direitos autorais, e muita gente está se manifestando sobre a matéria.
Em nossa opinião, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, acertou quando mandou recolher a versão do governo anterior, que já se encontrava na Casa Civil, para uma nova rodada de audiências públicas. Que mal há nisso?
Na Biblioteca Nacional, os interessados diretos aprofundaram o debate sobre o livro, a leitura e a literatura, buscando modernizar o setor, que não é tão precário assim. Apesar de ainda estarmos com um índice de leitura insuficiente (menos de dois livros por habitante ao ano), o Brasil ocupa a oitava posição entre os produtores de livro do mundo. A tendência é melhorar essa classificação, com a bem-sucedida medida de criação dos agentes de leitura, tarefa que é conduzida pela Fundação Biblioteca Nacional, presidida pelo especialista Galeno Amorim.
Um dos aspectos que chama nossa atenção: a avalanche de livros estrangeiros no mercado brasileiro, hoje mais apetitoso com a inserção, no mercado consumidor, de milhões de pessoas que agora integram a classe média.
Um outro aspecto se junta a isso, do ponto de vista industrial: vimos, na Feira Internacional de Bolonha (Itália), que há uma oferta desmesurada de gráficas internacionais, com preços baixos, como nos casos de Hong Kong, Colômbia e Chile.
Vamos assistir a esse efeito deletério da globalização em silêncio? Com dezenas de autores, livreiros, dirigentes de associações e interessados em geral, pudemos anotar o interesse do Ministério da Cultura pela manifestação objetiva de entidades, como a Câmara Brasileira do Livro e a Academia Brasileira de Letras, a respeito do que a cadeia produtiva do livro espera das autoridades sobre a intrincada questão dos direitos autorais.
Todos reconhecem que, com a existência da internet, a pirataria é uma triste realidade, mas que soluções são possíveis, no resguardo dos interesses envolvidos, sobretudo na defesa do patrimônio dos autores de obras.
Vai nascer a Biblioteca Digital, para oferecer acesso generalizado a obras literárias, virá a lei das biografias (como pediu o escritor Ruy Castro) e fala-se com insistência no oferecimento de uma cesta básica de livros para as classes populares, mas questões institucionais precisam ser logo resolvidas, para que não se construa um edifício sobre um terreno pantanoso e movediço.

ARNALDO NISKIER, doutor em educação, é professor universitário, membro da Academia Brasileira de Letras, presidente do Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola) do Rio de Janeiro e autor de diversos livros, entre os quais "História da Educação Brasileira" (editora Altadena).

Mudança climática em 23 línguas

Fonte: Conselho da Europa. Data: 30/05/2011.
A União Européia acaba de publicar um importante glossário sobre termos relacionados à mudança climática (PDDF, 1.1 MB). O termo em inglês mostra os seus equivalentes em outras 23 línguas.

Novo número: Informação & Sociedade

Acaba de ser publicado o novo número da revista Informação & Sociedade, editada pela Universidade Federal da Paraíba. O texto completo dos artigos podem ser acessados no URL: http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/ies/issue/view/824
Informação & Sociedade: Estudos. Vol. 21, n. 1, 2011.
Sumário:
Editorial
  • As condições para a produção científica (Gustavo Henrique de Araújo Freire, Isa Maria Freire)
Artigos de Revisão:
  • Competência em informação: um fator crítico para a comunicação na atualidade (Ana Flávia Sípoli Cól, Regina Célia Baptista Belluzzo)
  • Reflexões acerca das relações entre representação temática e descritiva (Giovana Deliberali Maimone, Naira Christofoletti Silveira, Maria de Fátima Gonçalves Moreira Tálamo)
  • Biblioteca pública como lugar de práticas culturais: uma discussão sócio-histórica (Fabrício José Nascimento da Silveira, Alcenir Soares dos Reis)
  • A Gestão da Informação e do Conhecimento na Ciência da Informação: Perspectivas Teóricas e Práticas Organizacionais (Edivanio Duarte de Souza, Eduardo José Wense Dias, Mônica Erichsen Nassif)
Memórias Científicas Originais
  • El acceso a la información pública: estudio de casos de Brasil, España y Portugal (Isidoro Gil-Leiva, Gregorio Moya Martínez)
  • A Responsabilidade Ét(n)ico-Social na Produção de Conhecimento nas Universidades Públicas (Alba Lígia Almeida Silva, Mirian de Albuquerque Aquino)
Relatos de Experiência:
  • Uma Ontologia para Instrumentos da Gestão do Conhecimento e Agentes da Engenharia do Conhecimento (Sandro Rautenberg, José Leomar Todesco, Andrea Valéria Steil)
  • Repositório Institucional da Universidade Federal da Bahia: implantação e acompanhamento (Flavia Rosa, Rodrigo França Meirelles, Marcos Palácios)
Relatos de Pesquisa:
  • A institucionalização da Ciência da Informação no Brasil sob a ótica da evolução quantitativa dos cursos de graduação na área (Aline Elis Arboit, Leilah Santiago Bufrem, Nair Yumiko Kobashi)
  • Conexões Temáticas em Gestão da Informação e do Conhecimento no Campo da Ciência da Informação (Emeide Nóbrega Duarte)
  • Homens e Mulheres “Aceitam” de Maneira Diferente? Impacto do Gênero no
    Modelo (Expandido) de Aceitação da Tecnologia – TAM (Márcia Zampieri Grohmann, Luciana Flores Battistella)
  • Políticas de indexação no âmbito da gestão do conhecimento organizacional (Mariana Lousada, Elaine Cristina Lopes, Mariângela Spotti Lopes Fujita, Marta Lígia Pomim Valentim)
  • A ABEBD e o currículo de bacharelado em Biblioteconomia no Brasil, de 1967 a 2000 (Francisco das Chagas de Souza)
Comunicações de Trabalhos/Pesquisas em Andamento:
  • Governo Eletrônico e Participação Política nos Websites dos Deputados da Assembléia Legislativa do Estado da Bahia (José Carlos Sales dos Santos, Rubens Ribeiro Gonçalves da Silva)

30 de mai de 2011

Livro sobre criação, proteção e uso da informação na internet

Está disponível para acesso gratuito o livro intitulado "Criação, proteção e uso legal da informação em ambientes da world wide web" escrito pelas pesquisadoras Elizabeth Araya e Silvana Vidotti.
O endereço para download é:
Sinopse:
Um número cada vez maior de produtores de conteúdo informacional, embora de acordo com os padrões culturais prevalecentes nem sempre seja considerado qualitativamente favorável, evidencia uma nova configuração cultural exponencialmente representativa no fluxo da informação em que o indivíduo, que não há muito tempo era um mero consumidor de conteúdo intelectual, é agora também um participante ativo na criação desses conteúdos. Os indivíduos que lidam com essas novas formas de produzir, disseminar e usar conteúdos informacionais devem estar conscientes das diferenças que se impõem quando a informação é digital. Eles devem conhecer as implicações quanto ao fluxo da informação e seus aspectos simbólicos, bem como saber sob quais condições a lei de direitos autorais estabelece que essas práticas devam acontecer.

Universidade adota ferramenta antiplágio de textos acadêmicos

Fonte: Jornal da Ciência e-mail 4267. Data: 27/05/2011.
URL: www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=77734

A Unesp é umas das primeiras universidades do Brasil a adquirir um software que ajuda a prevenir o plágio em trabalhos acadêmicos. A ferramenta equipara um determinado texto a uma base de dados ampla - que inclui milhões de teses e dissertações, livros, artigos, revistas científicas e sites - para identificar possíveis imitações de trabalhos já publicados.
O programa é destinado aos professores da instituição, sobretudo aos que lecionam na pós-graduação, e já está disponível em toda a Universidade. O software Turnitin, desenvolvido pela empresa americana IParadigms, não precisa ser instalado no computador. Para acessá-lo, é necessário um cadastramento com os bibliotecários das unidades, que fornecerão nome de usuário e senha.
Na prática, o professor submete um texto ao sistema de busca que verificará possíveis semelhanças com outras publicações. Os trechos parecidos ou idênticos são destacados em cores, que variam de acordo com a quantidade de palavras iguais encontradas, frequência e tamanho das citações e relevância do trecho copiado para o conjunto do trabalho.
Discussão ética - "Essa ferramenta vai ajudar a identificar o plágio, que deve ser coibido", afirma a pró-reitora de Pesquisa, Maria José Giannini. "O fundamental, entretanto, é intensificar a discussão sobre ética na pesquisa e na conduta profissional."
Para a bibliotecária Flávia Maria Bastos, coordenadora da Coordenadoria Geral de Bibliotecas (CGB), ao medir o "grau de originalidade", a universidade estimula publicações de qualidade que acrescentam algo de novo à bibliografia já existente na área. "O docente consegue, ainda, identificar o tipo de fonte usada, prevenindo os estudantes de basearem suas pesquisas em trabalhos desatualizados ou de origem não confiável."
Acervo em português - "A iniciativa é tomada num momento em que o mundo discute questões referentes à qualidade e à ética na pesquisa", declara o professor Carlos Roberto Grandini, da Comissão de Permanente de Avaliação (CPA). Segundo ele, a ferramenta também tem um papel didático, já que permite criar salas virtuais de correção dos arquivos para ensinar os alunos a fazer corretamente uma citação.
Por enquanto, a maior parte do acervo está em inglês. Os criadores já trabalham no aperfeiçoamento do programa para ampliar a detecção por semelhanças em qualquer idioma por meio de traduções automáticas. Conforme o professor, isso vai tornar inútil a tradução dos trechos copiados para disfarçar a fraude.
A Unesp também ajudará a abastecer a base de busca com literatura em língua portuguesa, informa Grandini. "Isso protegerá nossas pesquisas, que serão indicadas pelo sistema quando alguém no exterior tentar usá-las indevidamente."
Tendência internacional - O Turnitin já é empregado por mais de 2,5 mil universidades no mundo, incluindo algumas instituições americanas de renome como a Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla), a Escola de Medicina da Universidade de Harvard e a Universidade da Flórida.
A London School of Business e a Universidade de Cambridge, ambas na Inglaterra, também estão na lista dos usuários do programa no exterior, acompanhando a Universidade de Toronto, no Canadá, e outras de países como Bélgica, Espanha, Portugal, Turquia, Peru, Uruguai e Porto Rico.
A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) é uma das instituições nacionais que já negociam com o fabricante a adoção do Turnitin. A USP e a Unicamp também discutem a aquisição dessa e de outras ferramentas com o mesmo propósito.

Bases de dados sobre ciência da informação

A Escola de Ciência da Informação da Universidade Federal de Minas Gerais disponibiliza para acesso público e gratuito três bases de dados. São elas:
1) Biblioteca da ECI -- contém artigos de periódicos e trabalhos publicados em anais de eventos técnico-científicos, refletindo a literatura nacional nas áreas de Biblioteconomia, Ciência da Informação, Arquivística e outras interdisciplinares.
Base em números: 56 títulos de periódicos indexados e 25 anais de eventos técnicos. Total de artigos indexados: 9400 (em maio/2011)
2) Base LIBES -- reúne referências de documentos sobre biblioteca escolar produzidos no Brasil, principalmente a partir da década de 1960. Inclui artigos de periódicos, dissertações, teses e trabalhos apresentados em eventos, a maioria deles presentes no acervo da Biblioteca Etelvina Lima, da Escola de Ciência da Informação da UFMG.
3) Teses e dissertações -- com informações de teses e dissertações defendidas na Escola de Ciência da Informação da UFMG. Desenvolvida em conjunto com a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG.

Biblioteca Nacional sofre com furtos de importantes obras

Fonte: O Globo. Data: 29/05/2011.
Autor: André Miranda.
Algumas gerações de brasileiros, que por mais de 50 anos cresceram lendo a principal revista infantil do país na primeira metade do século XX, podem se considerar órfãs. As duas primeiras edições do almanaque O Tico-Tico - a primeira revista em quadrinhos do Brasil -, publicadas em 1905, foram furtadas da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), no Rio. O crime ocorreu há cerca de um ano, depois de a instituição receber um investimento milionário em segurança, e nunca veio a público. A direção da biblioteca diz não se manifestar sobre o assunto por recomendação da Polícia Federal, para não interferir nas investigações. Até hoje, as revistas, extremamente raras e consideradas uma das preciosidades do acervo da FBN, não foram recuperadas.

27 de mai de 2011

PLOL : Public Library of Law

Sitio que prove links para fontes de informação da legislação federal e dos
50 estados norte-americanos. Inclui também os estatutos e códigos dos
Estados Unidos e dos estados, constituição, regras das cortes e formulários
legais. Para acesso a algumas fontes é necessário um registro gratuito.

Bibliotecas comunitárias de Salvador ganham prêmio cultural

Fonte: Jornal da Manhã. Data: 24/05/2011.
O evento, uma iniciativa da Secretaria de Cultura da Bahia e do Governo Federal, premiou as bibliotecas que mais se empenharam em estimular a leitura, independente das dificuldades enfrentadas.
Veja o vídeo no URL:
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1517143-7823-BIBLIOTECAS+COMUNITARIAS+DE+SALVADOR+GANHAM+PREMIO+CULTURAL,00.html

Livro em papel sempre terá um mercado

Fonte: The Wall Street Journal. Data: 21/05/2011.
Autor: Jeffrey A. Trachtenberg.

Poucos executivos têm uma visão mais privilegiada da rapidez com que a tecnologia digital vem transformando o setor editorial do que John Makinson, diretor-presidente da Penguin Group, a divisão de livros da Pearson PLC. Decidir como e onde vender livros está muito mais complicado, mas, para o executivo, há uma diferença cada vez maior entre o leitor e o proprietário de livros. "O leitor quer apenas a experiência de ler e é um consumidor digital natural. Já o proprietário do livro quer presentear, compartilhar e guardar livros. Por isso sempre haverá um mercado para eles", afirma.

26 de mai de 2011

SIBiUSP 30 Anos: Fórum de Debates

As Bibliotecas da USP e a inclusão e a responsabilidade social

Data: 30 de maio de 2011.
Horário: 9h
Local: Auditório BM&F do Depto de Economia, Administração e Sociologia
Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" - ESALQ/USP
Av. Pádua Dias, 11 - Vila Independência - Piracicaba/SP

Participações:
Isaque Vacari - Embrapa Informática Agropecuária, Maria Goretti Gurgel Praxedes - Embrapa Informática Agropecuária, Marcos Cezar Visoli - Embrapa Informática Agropecuária, e Victor Paulo Marques Simão Embrapa Meio Ambiente
Valéria dos Santos Gouveia Martins - Sistema de Bibliotecas da UNICAMP
Elisa Campos Machado - Departamento de Estudos e Processos Biblioteconômicos da UNIRIO


Data: 31.maio.2011
Horário: 14h
Local: Auditório Myaki Issao
Faculdade de Odontologia - FO/USP
Av. Prof. Lineu Prestes, 2227 - Cidade Universitária - São Paulo/SP
Participações:
Profa. Dra. Ana Estela Haddad – Ministério da Saúde
Profa. Dra. Maria Luiza Moreira Arantes Frigerio – FO/USP
Prof. Dr. Pedro Roberto Jacobi – FE/USP
Dr. Pedro Urra – Diretor da Bireme



Organização:
Divisão de Biblioteca da ESALQ/USP - www.esalq.usp.br/biblioteca
Serviço de Documentação Odontológica da FO/USP - www.fo.usp.br/sdo
Apoio: Sistema Integrado de Bibliotecas da USP

Historiador cultural critica a 'googalização' do mundo

Fonte: Folha de S. Paulo. Data: 26/05/2011.
Autora: Juliana Vines.
Dê um Google no Google e você terá mais de 6 bilhões de resultados. Criado há 13 anos, o site hoje é muito mais que um buscador.
É um filtro do mundo, segundo Siva Vaidhyanathan, 45, especialista em história cultural e professor da Universidade de Virgínia, EUA.
Ele é autor de "The Googlization of Everything ""And why we should worry" (A Googalização de Tudo ""E por que devemos nos preocupar), lançado em março nos EUA.
Vaidhyanathan define-se como um dos primeiros usuários do site e teve a ideia do livro depois que soube de um plano do Google de digitalizar bibliotecas universitárias.
"Parecia muito controle para uma empresa só. Fiquei preocupado e resolvi investigar a companhia e a nossa relação com ela."

Em entrevista à Folha, ele fala como o Google é onipresente, onipotente e onisciente ""mas isso não faz com que seja benevolente."
Para o autor, devemos sempre nos perguntar: "Por que essa lista de resultados, e não outra?".

Folha - Vivemos em um mundo "googalizado", além de globalizado?
Siva Vaidhyanathan - Sim, as duas coisas. A tecnologia é parte da cultura, ela nos influencia da mesma forma que nós a influenciamos. E o Google é mundial. Ainda não é universal, mas está a caminho de ser.

Qual a consequência dessa "googalização"?
Cada vez mais, o Google muda a forma como vemos o mundo e como julgamos a informação. Para muitos, o site é fundamental para tomar decisões e muitos dependem dele para isso. Mais do que isso: o Google gere a nossa reputação. Ele gerencia as fontes de informação que encontramos. E as formas de comércio.

E revolucionou a internet?
Certamente. Antes do Google, a World Wide Web, que era apenas uma função da internet entre muitas outras, era incontrolável. Era difícil de navegar e, muitas vezes, desagradável. O Google fez da web um meio razoável e organizado. Ele deixou a minha vida e a vida de muitas pessoas mais fácil.

Isso não é positivo?
Pode ser. É uma boa empresa e faz um bom trabalho. Mas é uma empresa. Não devemos adorá-la só porque faz um bom trabalho. Devemos respeitá-la, mas não adorá-la. E o que ela fez de positivo no passado não determina necessariamente o que vai acontecer no futuro.

Mas adoramos o Google?
Existe uma certa mística em torno dele. As pessoas usam o site sem saber como ele funciona e sem questionar os resultados. A maioria o usa cegamente.

Por isso você fala em desmistificação?
As pessoas precisam perceber que o Google é falível, porque é uma empresa, construída e dirigida por seres humanos. E deve lucrar.
Esse é o primeiro objetivo. Nós cometemos um grande erro ao esquecermos isso e confiarmos cegamente. O Google fez muitas coisas boas para o mundo, mas isso é uma feliz coincidência.

Então como devemos usá-lo?
Quanto melhor entendermos como ele funciona, melhor poderemos corrigir a tendência que ele tem de nos dar respostas rasas, resultados rápidos que são projetados para ajudar a consumir coisas em vez de entender coisas. O Google é bom para uma pesquisa rápida, perguntas triviais. Não é bom para a profundidade, questões complexas, como debates científicos ou políticos.

Você acha que as pessoas deveriam parar de usar o site?
Elas podem fazer várias buscas diferentes. E devem começar a procurar e conhecer serviços que atendam necessidades específicas, como pesquisa científica ou dúvidas em saúde. E podemos voltar a usar as bibliotecas públicas regularmente. Profissionais treinados ainda são o melhor jeito de encontrar informações úteis sobre assuntos complexos.

Como você vê o futuro do Google e da internet?
A internet certamente mudou nossas vidas quase que instantaneamente. Mas nós podemos perder a liberdade e a abertura que ela nos permite se não lutarmos para preservá-la. Há governos e empresas que gostariam de controlá-la. Uma saída é termos alternativas múltiplas de pesquisa e esforços do governo para sistemas de informações claros e abertos.
THE GOOGLIZATION OF EVERYTHING
AUTOR: Siva Vaidhyanathan
EDITORA: University of Califórnia
PREÇO: R$ 61,72; 296 págs.
ONDE ENCONTRAR: Em inglês, na Livraria Cultura e na Amazon (versão impressa e para Kindle)

Arquivo Público de SP reúne jornais históricos da 'imprensa negra'

Periódicos do início do século XX podem ser consultados na internet.
Abolição da escravatura é celebrada no dia 13 de maio.

Fonte: Portal G1. Data: 13/05/2011.

Estudantes já podem se aprofundar mais nos estudos sobre a abolição da escravatura no Brasil, celebrada em 13 de maio, com a consulta a jornais publicados por várias vertentes do movimento negro no país durante as primeiras décadas do século XX. O Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibiliza em seu site 23 títulos de jornais e revistas que tratam do tema.
Até agora, os títulos da chamada "imprensa negra", como ficaram conhecidos jornais e revistas publicados em São Paulo após o processo abolicionista, no final do século XIX, só podiam ser consultados na sede da instituição, que fica na Zona Norte de São Paulo.
Entre os títulos que estão disponíveis está o jornal "A voz da raça", da Frente Negra Brasileira, tido como um dos mais importantes do gênero, sendo bastante lido também fora da comunidade negra. O jornal foi publicado de 1933 a 1937.
Também estão disponíveis jornais como Getulino (1916-1923) e O Clarim d´Alvorada (1929-1940) que atuavam na divulgação de eventos cotidianos da população negra, como festas, bailes, concursos de poesia e beleza, eventos pouco divulgados em veículos da grande imprensa.
O acervo digital é composto pelos jornais: O Alfinete (1918-1921), Alvorada (1948), Auriverde (1928), O Bandeirante (1918-1919), Chibata (1932), O Clarim (1924), O Clarim d´Alvorada (1929-1940), Cruzada Cultural (1950-1966), Elite (1924), Getulino (1916-1923), Hífen (1960), O Kosmos (1924-1925), A Liberdade (1919-1920), Monarquia (1961), O Novo Horizonte (1946-1954), O Patrocínio (1928-1930), Progresso (1930), A Rua (1916), Tribuna Negra (1935), A Voz da Raça (1933-1937), O Xauter (1916). E as revistas: Quilombo (1950) e Senzala (1946).
As publicações podem ser consultadas no URL: http://www.arquivoestado.sp.gov.br/jornais

Censura literária: TJ-SP proíbe livro escolar por conteúdo obsceno

Fonte: Consultor Jurídico. Data: 25/05/2011.
Autor: Fernando Porfírio.
A distribuição do livro Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século na rede pública de ensino de São Paulo está definitivamente vetada. A decisão é da Câmara Especial do Tribunal de Justiça paulista que confirmou liminar para impedir a circulação da obra a estudantes da 6ª à 9ª série do ensino fundamental e do ensino médio.
O livro reúne contos de autores brasileiros publicados a partir de 1900, entre eles Machado de Assis, João do Rio, Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector. A principal motivação para o tribunal vetar a obra seria o texto Obscenidades para uma Dona de Casa, de Ignácio Loyola Brandão, que conta a história de uma mulher casada que recebe cartas anônimas de um homem.
O desembargador Maia da Cunha, relator do recurso, entende que o conteúdo de três textos da coletânea são “inapropriados” com “elevado conteúdo sexual”, e descrição de atos obscenos, erotismo e referência a incesto. A Secretaria da Educação iniciou a distribuição no ano passado, mas esta foi suspensa por uma medida cautelar da Justiça.
De acordo com a decisão, a exposição de contos com elevado conteúdo sexual a crianças e adolescentes sem uma análise mais apurada de sua adequação à faixa etária, poderia causar consequências indesejáveis à sua formação.
“É certo que não se sabe, ainda, qual a extensão desta exposição, nem seu resultado, mas, havendo dúvida, a melhor solução, nesta fase, é resguardar a integridade das crianças e adolescentes que ainda não tiveram contato com as obras”, afirma o relator do recurso, desembargador Maia da Cunha, presidente da Seção de Direito Privado.
O recurso foi apresentado pelo Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Indec). A entidade pretendia também que os exemplares já distribuídos fossem recolhidos. No entanto, a turma julgadora entendeu que, nesse caso, o eventual desrespeito à dignidade das crianças e adolescentes já teria se consolidado, razão pela qual seria ineficaz o recolhimento.
Pelo menos 18 mil livros foram comprados por meio do programa Apoio ao Saber, que destina anualmente três obras para os estudantes levarem para casa. A secretaria disse que a escolha dos livros é feita por uma comissão.

A incrível história da produção editorial no país

Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 25/05/2011.
Autora: Roberta Pennafort.
Há 203 anos, um decreto de d. João criava no Rio a Impressão Régia, primeira gráfica-editora em solo brasileiro. A iniciativa do príncipe regente é saudada pelos historiadores tanto quanto a de abrir os portos às nações amigas. Impresso no Brasil - Dois séculos de livros brasileiros (Unesp/Biblioteca Nacional, 663 pp., R$ 59,90) será lançado hoje, às 18 h, na Livraria João Alexandre Barbosa da USP (Rua da Reitoria, 374 – Cidade Universitária – São Paulo/SP. Tel.: 11 3091-4156).
Com 35 capítulos assinados por pesquisadores de instituições de vários Estados, abrangendo a produção editorial de lá para cá, como as primeiras tipografias e editoras, as experiências particulares do Amazonas ao Rio Grande do Sul, e fenômenos como Paulo Coelho e a série Harry Potter, a publicação mostra que o sonho de democratizar a leitura, fazendo do livro objeto acessível aos mais pobres, vem de muito longe.

Congresso do Livro Digital aproxima academia e mercado

Fonte: PublishNews. Data: 25/05/2011.
Autora: Gabriela Nascimento.

A organização do 1º Congresso Internacional CBL do Livro Digital se surpreendeu com o sucesso do evento realizado em São Paulo em maio do ano passado e agora quer mais. Cinco pessoas da Comissão do Livro Digital da CBL trabalham para que toda a programação esteja redonda até os dias 26 e 27 de julho, quando será realizada a segunda edição do evento, também em São Paulo.
Com um público esperado de 500 pessoas, o 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital deve ampliar as discussões levantadas na primeira edição sobre o impacto da era digital na cadeia produtiva do livro. Além disso, pretende analisar o comportamento do consumidor, discutir assuntos de interesse comum aos empresários e executivos do livro, refletir sobre os principais desafios e oportunidades do mercado e dar orientações sobre a produção e a gestão do livro digital, uma vez que algumas de suas 640 entidades associadas (entre editoras, livrarias e distribuidoras) são pequenas e precisam de apoio para se adaptar às mudanças ocasionadas pela chegada e popularização do livro digital.
Entre os nomes confirmados estão Bob Stein, presidente do Institute for The Future of the Book, que irá falar sobre essa nova geração que já nasceu digital; Dominique Raccah, da Sourcebook e do Book International Study Group, que analisará o comportamento do consumidor; Rochelle Grayson, da BookRiff Media, que dará uma palestra sobre modelos de negócios; Piete Swinkles, da Kobo, e Diego Vorobechik, da Bibliografika, que, junto ao brasileiro Marcos da Veiga Pereira, da Sextante e da DLD, falarão sobre o novo papel das distribuidoras e livrarias no mundo do livro digital.
Além deles, participam Joseph Craven, vice-presidente da Sterling Publishing, em painel sobre as oportunidades para os editores e Martha Gabriel, diretora da New Media Developers, que dará uma palestra sobre o marketing para o livro digital. Dominique Raccah, do Book Industry Study Group e CEO da Sourcebooks, e Edmar Bulla comentarão sobre estratégias para as redes sociais; Ricardo Cavallero, da Random House Mondadori, falará sobre o novo papel do editor; Carlos Viceconti, diretor da Digisign, e Patricia Peck Pinheiro, da Peck Pinheiro Advogados, abordarão a pirataria e os direitos autorais na edição digital. Por fim, Sandra Reimão, da USP, analisará a “cultura do gratuito”. Outros nomes e mesas ainda serão confirmados, e a CBL também avisa que a programação pode sofrer mudanças.
A novidade do evento deste ano é a apresentação de trabalhos científicos. Com essa iniciativa, a CBL pretende aproximar academia e mercado. Foram inscritas dez pesquisas, das quais serão escolhidas entre 4 e 6 para serem apresentadas. Dessas, duas ganharão prêmios em dinheiro e poderão ser publicadas em revistas científicas. Os temas dos trabalhos variam desde os desdobramentos das mudanças causadas pelos livros digitais até educação e negócios. Segundo a comissão, por ser um tema muito novo é essencial que o mercado e a academia olhem juntas para o livro digital. A CBL espera que, com a divulgação dessa nova iniciativa, mais pesquisas sejam inscritas no ano que vem.
O 2º Congresso Internacional CBL do Livro Digital tem o apoio da Frankfurter Buchmesse e será realizado no Centro Fecomercio de Eventos (Rua Dr. Plínio Barreto, 285. Bela Vista – São Paulo/SP) e custa R$ 1.050 para associados da própria CBL, R$ 1.250 para associados de entidades congêneres, professores e estudantes, R$ 1.500 para não associados e US$ 925 para estrangeiros. As inscrições deverão ser feitas no site www.congressodolivrodigital.org.br.

23 de mai de 2011

Coletânea reúne textos de escritores sobre futuro do livro

Fonte: O Globo.  Blog Prosa Online. Data: 23/05/2011.

Autor: Miguel Conde .


Em vez de vagar pelo deserto com a barba engruvinhada e um manto fedorento, os profetas da era digital usam a camisa para dentro da calça, manejam com destreza o Powerpoint e substituíram o batido “apocalipse” (tão ontem) pela “mudança de paradigma”. Como seus antecessores, no entanto, eles continuam nos advertindo que “o fim” está próximo. O surgimento de novas formas de publicação, distribuição e leitura de livros não é no entanto um problema apenas industrial. Partindo dessa constatação, um livro lançado recentemente nos Estados Unidos tenta trazer para essa discussão um grupo que até agora tem participado dela de maneira marginal: os escritores. The Late American Novel: Writers on the Future of Books (Soft Skull Press, 192 pp., US$ 14,95), organizado por C. Max Magee e Jeff Martin, reúne 26 textos sobre o assunto escritos por contistas e romancistas americanos, a maioria deles jovens autores que gravitam em torno das revistas literárias.

Amazon está chegando ao Brasil. E não vai vender só livros

Fonte: Veja. Data: 20/05/2011.

Autora: Renata Honorato.

A Amazon está aportando no Brasil. A maior varejista eletrônica do mundo deve iniciar sua operação por aqui no fim deste ano ou no início de 2012. Para isso, já negocia com editoras brasileiras a conversão, em grande escala, de títulos nacionais em e-books, além de vender por aqui seu leitor de livros digitais, o Kindle. "Estamos em contato com o emissário da Amazon. E ele está conversando com várias editoras locais", revela Sérgio Machado, presidente da Record, uma das maiores empresas do setor editorial no país. A companhia americana confirma que tem "planos para o Brasil", mas guarda segredo sobre eles. Há três meses, o interlocutor com as editoras locais é o peruano Pedro Huerta, que trabalhou na prestigiosa editora americana Randon House. Ele conduz negociações a partir de Nova York e Londres. É evidente, porém, que a Amazon deve chegar ao país para empreender uma grande, ou melhor, gigantesca operação de e-commerce, que deve mexer com a vida de eventuais parceiros, concorrentes e consumidores. Faz todo o sentido. O setor de e-commerce no Brasil passa por uma fase positiva. Neste ano, deve faturar ao menos 20 bilhões de reais, segundo previsão da empresa de monitoramento de comércio eletrônico E-bit. É um crescimento de 35% em relação a 2010

20 de mai de 2011

Pearson estréia em livro didático no Brasil

Fonte: Valor Econômico. Data: 20/05/2011.
Autora: Beth Koike.
A Pearson, grupo britânico que adquiriu os sistemas de ensino da SEB, está entrando no apetitoso mercado de livros didáticos, que movimenta aproximadamente R$ 2 bilhões. "Já conseguimos aprovar um livro de física e as obras das outras disciplinas estão em análise pelo FNDE. Mas independentemente dessa aprovação, vamos entrar no mercado de escolas privadas a partir do próximo ano", disse Nilson Curti, novo presidente da Pearson Brasil. O conteúdo dos livros didáticos será proveniente das apostilas e, principalmente, da Pearson, que conta com um vasto arquivo nas áreas de exatas, biológicas, humanas e idiomas já usados nos mais de 70 países em que atua. Nas disciplinas regionais como língua portuguesa e história do Brasil, por exemplo, serão reaproveitados os conteúdos dos sistemas de ensino do SEB (COC, Dom Bosco e Pueri Domus). A Pearson Brasil fatura R$ 150 milhões com sistemas de ensino no Brasil. O grupo Pearson encerrou o ano com faturamento mundial de US$ 9,2 bilhões.

National Jukebox: registros musicais históricos da Library of Congress

Agora é possível ouvir os registros sonoros da National Jukebox da Biblioteca do Congresso. Este acervo inclui mais de 10 mil registros feitos pela Victor Talking Machine Company entre 1901 e 1925. Os registros podem ser pesquisados, entre outros, por palavra-chave, título, músico e gênero musical. É um belo exemplo de biblioteca digital musical.

Yale Digital Commons

URL: http://discover.odai.yale.edu/ydc/Search/Results?lookfor=&type=allfields&filter%255B%255D=resource_facet%253A%2522Resource%20available%20online%2522
A Universidade de Yale provê acesso de forma gratuita a mais de 300 mil imagens de objetos digitais pertencentes às suas bibliotecas, arquivos e museus.

Imagens da Digital Gallery da Biblioteca Pública de New York


Mais de 700 mil imagens digitalizadas dos acervos da Biblioteca Pública de New York estão sendo disponibilizadas. Essas imagens incluem, entre outros, mapas históricos, posters, fotografias e manuscritos.

19 de mai de 2011

Livros eletrônicos podem ser isentos de impostos

Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 18/05/201.
Autor: Felipe Recondo.
Um projeto para tornar imunes de impostos os livros eletrônicos foi aprovado na terça-feira pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. A proposta do senador Acir Gurgacz (PDT-RO) equipara ao livro de papel os equipamentos que tenham como "função exclusiva ou primordial a leitura de textos em formato digital ou a audição de textos em formato magnético ou ótico".
O projeto ainda precisa ser votado na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado antes de ser encaminhado para a Câmara dos Deputados. Se aprovado e sancionado, aparelhos como kindle não serão tributados.
O autor do projeto argumenta não ser possível restringir o conceito de livros apenas à "publicação de textos escritos em fichas ou folhas, não periódica, grampeada, colada ou costurada, em volume cartonado, encadernado ou em brochura, em capas avulsas, em qualquer forma e acabamento".
"Submetemo-nos a um atraso quando nos prendemos a esse conceito...", afirmou ao justificar sua proposta. Esta discussão revelou o Estado, pode levar o Supremo Tribunal Federal (STF) a rediscutir o conceito de papel e estender a imunidade tributária para os livros eletrônicos.

Cresce a produção de livros nos Estados Unidos

A Bowker, líder mundial em informação bibliográfica, divulgou o seu relatório anual sobre o mercado americano nas áreas de publicação de livros impressos, compilados a partir dos dados da sua base de dados Books in Print. Com base em dados preliminares dos editores dos EUA, a Bowker está projetando que, apesar da popularidade dos livros eletrônicos (e-books), a produção de títulos impressos em 2010 aumentou 5%. A produção de novos títulos e edições aumentou de 302.410 itens em 2009, para 316.480, em 2010. Esse aumento de 5% vem na esteira de um aumento de 4% no ano anterior com base nos valores finais do biênio 2008-2009.
Maiores informações no URL: http://www.bowkerinfo.com/bowker/IndustryStats2010.pdf

18 de mai de 2011

Evento: Conferência sobre Tecnologia, Cultura e Memória

Local: Instituto Ricardo Brennand - Recife, Pernambuco – Brasil
Data: 13-15 de setembro de 2011.

A Conferência sobre Tecnologia, Cultura e Memória é produto da cooperação desenvolvida entre pesquisadores do Grupo de Pesquisa Memória e Sociedade do Laboratório Liber/UFPE, do Instituto Holandês do Patrimônio - Erfgoed Nederland, e do projeto Brasiliana USP. O evento vem atender a demanda de conhecimento teórico e prático no campo da curadoria do patrimônio digital e das políticas públicas para a preservação e o acesso da herança cultural.
O Coordenador é o Professor Marcos Galindo Lima, Departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Pernambuco.

Após veto, livro do MEC ensina como lidar com obra de Lobato

Fonte: Portal IG. Data: 16/05/2011.
Autora: Cinthia Rodrigues.
Depois de ter a obra Caçadas de Pedrinho vetada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) por racismo, Monteiro Lobato ganhou agora duas páginas com um “modo de usar” em livro que será enviado pelo Ministério da Educação (MEC) a 157 mil professores de 1º ao 5º ano. O volume 19 da Coleção Explorando o Ensino diz que a personagem Tia Nastácia deve ser apresentada com “análise” e sem “julgamento”.
Em outubro do ano passado, o CNE decidiu por unanimidade recomendar que não se distribuísse o livro publicado em 1933 por considerar que algumas passagens são racistas. O veto foi derrubado pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, que devolveu o texto ao conselho solicitando uma revisão, que não ocorreu até hoje. Agora, um livro elaborado pela Universidade Federal de São Paulo e que será distribuído no segundo semestre para escolas de todo o País se refere a Monteiro Lobato em capítulo intitulado “Leitura e Compreensão: a ronda dos preconceitos e estereótipos” e explica como os educadores devem tratar de “Tia Nastácia, a inesquecível personagem referida como 'negra de estimação', logo nas páginas iniciais do Sítio do Pica-Pau Amarelo.”

17 de mai de 2011

McGraw-Hill inaugura biblioteca digital


A editora McGraw-Hill acaba de lançar a “McGraw-Hill e-book library”. Ela é uma biblioteca digital que, mediante assinatura, permite acesso imediato a mais de 1.160 títulos lançados pela editora. O direito de acesso é na base de assinatura por um período de um a quatro anos. Novos títulos serão adicionados ao acervo a cada quatro meses (Janeiro, Maio e Setembro de cada ano).

RDA: um novo paradigma na catalogação

Autor:
Murilo Bastos da Cunha
Publicado no: Infohome. Data: maio de 2011.

Acaba de ser publicado um dos primeiros livros na língua portuguesa sobre a nova norma de catalogação denominada RDA (Recursos: Descrição e Acesso). Essa nova obra é de autoria de Chris Oliver, coordenadora de Catalogação da McGill University Library, em Montreal (Canadá), e tem como título Introdução à RDA: um guia básico (1) [Brasília: Briquet de Lemos, 2011. 153 p.]. A edição original em inglês foi publicada em 2010, pela American Library Association. Portanto, ambas as edições possuem conteúdos muito recentes.
            Como se sabe a RDA está provocando uma enorme mudança na catalogação internacional desde a publicação da segunda edição do Código de catalogação anglo-americano – com edição brasileira publicada pela FEBAB em 1983 e em 2004, agora incorporando a revisão de 2002; também existe uma reimpressão, lançada em 2010 (2-4). Pensava-se que seria lançada uma nova edição do código de catalogação e que a sua nova sigla, continuando a longa tradição das versões anteriores, fosse AACR3. Além disso, essa nova edição certamente iria incluir as modificações geradas pelas atualizações ocorridas no formato MARC 21. Mas, a longa tradição de edições sucessivas do AACR foi quebrada e não teremos o AACR3!
            Todavia, “apesar de manter uma forte relação com as AACR2, a RDA delas difere em muito, devido a ser baseada numa estrutura teórica, ter sido projetada para o ambiente digital e seu escopo ser mais abrangente do que o das AACR2” (p. 1). De fato, as normas da RDA são baseadas nos modelos conceituais do Functional Requirements for Bibliographical Records (FRBR, Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos) e do Functional Requirements for Authority Data (FRAD, Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade), e incorporam um ponto de vista impensável anos atrás. Agora a estrutura da descrição bibliográfica inclui também o acesso à informação do objeto descrito como um todo.
            O novo livro está composto por sete capítulos. O primeiro, intitulado “O que é a RDA?”, mostra a base teórica na qual a RDA foi baseada. A autora menciona que “a RDA consiste num conjunto de instruções práticas, que, no entanto, baseia-se numa estrutura teórica que define a forma, a estrutura e o conteúdo desta nova norma” (p. 1). Os dados RDA podem “ser codificados com o emprego de esquemas existentes, como o MARC21, Dublin Core, MODS e também podem ter correspondências estabelecidas com outros esquemas, atuais ou futuros. (...) os dados RDA também foram projetados para serem usados no ambiente da Rede e em novos tipos de estruturas de bases de dados. (...) A RDA pode ser utilizada para a descrição tanto de recursos tradicionais quanto não-tradicionais, analógicos e digitais, dentro e fora da biblioteca” (p. 3).
            O segundo capítulo aborda as relações da RDA com as normas, modelos e princípios internacionais. Nele é apontado que a RDA “emprega os conceitos, a terminologia e os princípios reconhecidos pela comunidade internacional de catalogação. Baseia-se em tradições catalográficas existentes embora também se leve em conta a forma como os dados das bibliotecas serão usados no futuro. (...) A RDA foi desenvolvida para se encaixar na matriz de normas internacionais de descrição de recursos” (p. 8).
            O terceiro capítulo comenta o FRBR e FRAD na RDA. Aí se afirma com detalhes que a RDA é de fato uma aplicação desses dois modelos conceituais. “Esses modelos moldaram a estrutura da RDA e influenciaram a linguagem empregada nas instruções” (p. 17). Um aspecto interessante é apontado pela autora: “os modelos FRBR e FRAD são modelos de entidade-relação. Foram desenvolvidos com o emprego de enfoque e metodologia semelhantes. O ponto de partida de ambos os modelos são os usuários e suas necessidades. (...) As necessidades do usuário são definidas em termos de tarefas de usuário. (...) Há quatro tarefas de usuário relativas ao uso de dados bibliográficos, e quatro relativas a dados de autoridade” (p. 19-20).
Continuando, a autora enfatiza que “o foco não está no catalogador que cria um único registro, mas no usuário que busca esse registro em grandes catálogos ou bases de dados” (p. 22). Mostra também que a RDA dá ênfase ao registro de relações.
O quarto capítulo explica que a RDA é a norma que substitui as AACR2, mas que coexiste uma continuidade entre ambas, a saber: a mesma estrutura de governança; a RDA foi construída sobre os mesmos alicerces das AACR2; muitas instruções foram derivadas das AACR2 e os novos registros catalográficos serão compatíveis com o antigo código de catalogação.
O quinto capítulo aborda as diferenças e similaridades existentes entre a RDA e o AACR2. Nessa parte da obra analisam-se os aspectos relacionados com a implantação da RDA. Nessa transição as associações profissionais, as escolas de biblioteconomia e o próprio profissional exercerão papéis primordiais para que essas mudanças sejam feitas de forma tranquila. Aqui vale a pena apontar um importante aspecto: para que as normas RDA sejam implantadas e largamente utilizadas no Brasil e nos outros países lusófonos elas precisam ser traduzidas com certa urgência. É quase certo que a barreira linguística pode ser um empecilho para a transição das normas das AACR2 para a RDA.
No último capítulo a autora comenta as vantagens, o presente e o futuro da RDA no contexto informacional. Ao finalizar ela aponta que “na medida em que os catalogadores forem construindo o corpo de dados RDA, os usuários começarão a notar as vantagens de uma norma que coloca suas necessidades no centro” (p. 130).
            Com todo esse contexto das tecnologias da informação, especialmente a internet, ficou inevitável a demanda de novas normas de catalogação que pudessem descrever os novos objetos digitais. Assim, o universo bibliográfico fica agora atualizado e de posse de regras que finalmente poderão descrever esse contexto da informação digital surgido nos últimos quinze anos. As normas da RDA vêm dar ao bibliotecário e a outros profissionais de informação um moderno e prático instrumento imprescindível para o bom exercício profissional na área de catalogação nesse mundo digital.
            O livro, portanto, é editado no momento certo. Ele pode servir como um prático e didático ponto de partida para os profissionais e estudantes nesse processo de transição ora iniciado.

Referências bibliográficas
(1) OLIVER, Chris. Introdução à RDA: um guia básico. Brasília: Briquet de Lemos, 2011. 153 p. ISBN 978-85-85637-45-3
(2) Código de catalogação anglo-americano. 2. ed. São Paulo: FEBAB, 1983. 2 v.
(3) Código de Catalogação Anglo-Americano. 2. ed., revisão 2002 São Paulo: FEBAB; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2004. 2 v. ISBN 8585024046
(4) Código de Catalogação Anglo-Americano. 2. ed., revisão 2002, reimpressão. São Paulo: FEBAB, 2010. 2 v. ISBN 9788585024048

13 de mai de 2011

Acervos pessoais ''encalham'' em livrarias da cidade

Fonte: O Estado de S. Paulo. Data: 13/05/2011.
Autor: Edison Veiga e Flávia Tavares
Quando se entra naquela livraria de obras antigas, com cheiro de páginas lidas e relidas e títulos que parecem fundamentais só pela imponência da capa de couro, pode-se ter a impressão de que se trata apenas de mais um sebo do centro de São Paulo. O que não se imagina é que naquelas estantes estão décadas de dedicação, investimentos e empenho de colecionadores e bibliófilos em encontrar as obras mais especiais. São as bibliotecas pessoais - que a Livraria Calil, descrita acima, comercializa -, que movimentam um mercado vultoso e internacional. A diferença básica desta livraria para as outras é a preferência por vender bibliotecas pessoais inteiras, sem desmembrá-las - embora haja também obras avulsas nas prateleiras. Ali, estão acervos que valem de US$ 120 mil a US$ 2 milhões.

Edmir Perrotti: "Biblioteca não é depósito de livros"


Autor: Márcio Ferrari.
Fonte: Nova Escola. Data: 11/05/2011.

Desafios como a criação do hábito da leitura entre crianças e adolescentes, as novidades tecnológicas, a ampliação do acesso ao ensino e a sofisticação do mercado editorial levaram o professor Edmir Perrotti a uma nova concepção de biblioteca escolar e de seu papel pedagógico.
Com formação em Biblioteconomia - área que combinou com seu interesse em Educação -, ele é docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, conselheiro do Ministério da Educação para a política de formação de leitores e autor de livros infantis.
Perrotti orientou a implantação de redes de bibliotecas inovadoras nas escolas municipais de São Bernardo do Campo, Diadema e Jaguariúna, no estado de São Paulo. Nessas estações de conhecimento, como ele prefere chamá-las, a aprendizagem é estimulada pela presença de suportes tecnológicos, como o computador e a televisão.
Em um ambiente que convida as crianças a descobrir e aprofundar o prazer da leitura, os livros convivem com outras linguagens, como a do teatro. "Assim trabalha-se o contato com as informações e também o processamento delas", diz. Ex-professor da Universidade de Bordeaux, na França, e de escolas de Ensino Fundamental no Brasil, além de editor e crítico literário, Perrotti concedeu a seguinte entrevista a NOVA ESCOLA.
O que deve orientar a constituição de uma biblioteca escolar?
Edimir Perrotti Ela não pode restringir-se a um papel meramente didático-pedagógico, ou seja, o de dar apoio para o programa dos professores. Há um eixo educativo que a biblioteca tem de seguir, mas sua configuração deve extrapolar esse limite, porque o eixo cultural é igualmente essencial. Isso significa trazer autores para conversar, discutir livros, formar círculos de leitores, reunir grupos de crianças interessadas num personagem, num autor ou num tema. A biblioteca funciona como uma ponte entre o ambiente escolar e o mundo externo.
De que modo se realiza essa abertura para fora da escola?
O responsável pela biblioteca tem o papel de articular programas com a biblioteca pública e fazer contato com a livraria mais próxima, além de estar atento à programação cultural da cidade. Há uma série de estratégias possíveis para inserir a criança num contexto letrado. A biblioteca precisa ter outra finalidade que não seja simplesmente a de um depósito de onde se retiram livros que depois são devolvidos. Nós não trabalhamos mais com a idéia de unidades isoladas. O ideal é formar redes, um conjunto de espaços que eu chamo de estações de conhecimento, cujo objetivo é a apropriação do saber pelas crianças.
Qual é a necessidade das redes?
Com o atual excesso de informações e a multiplicação de suportes, nenhuma biblioteca dá conta de todas as áreas em profundidade, até porque não haveria recursos para isso. O trabalho tem de ser compartilhado com outras unidades da rede, por meio de mecanismos de busca informatizados. Por exemplo: a escola guarda um pequeno acervo inicial sobre arte, mas, se o interesse for por um conhecimento aprofundado, recorre-se a uma biblioteca especializada na área. Hoje não há mais condições de manter o antigo ideal de bibliotecas enciclopédicas, que abarcavam todas as áreas de conhecimento.
Quem deve ser o responsável pela biblioteca?
Processar as informações e criar nexos entre elas é um ato educativo. O responsável, portanto, é um educador para a informação, que nós chamamos de infoeducador, um professor com especialização em processos documentais. Uma rede de bibliotecas tem uma plataforma de apoio técnico-especializado, que é a área do bibliotecário, um especialista em planejamento e organização da informação. Junto com ele trabalham os educadores, que são especialistas em processos de mediação de informação. Dar acesso ao acervo não basta para que o aluno saiba selecionar e processar informações e estabelecer vínculos entre elas.
De que modo se estimula a autonomia numa biblioteca?
É preciso desenvolver programas para construir competências informacionais. Isso inclui desde ensinar a folhear um livro — para crianças bem pequenas — até manejar um computador. Antigamente imperava a idéia de que os adultos é que deveriam mexer nas máquinas e pegar os livros na estante. Hoje se devem formar pessoas que tenham uma atitude desenvolvida, não só de curiosidade intelectual, mas de domínio dos recursos de informação. Essa é uma questão essencial da nossa época.
Por que a escola tem falhado em ensinar os alunos a processar informações?
Porque se acredita que basta escolarizar as crianças para formar leitores. De fato, a escola tem o papel de construir competências fundamentais para a leitura, mas isso não quer dizer formar atitude leitora. Hoje, o que distingue o leitor das elites do leitor das massas é que o primeiro tem um circuito de trocas. Ele participa do comércio simbólico da escrita, da produção à recepção: sabe o que é publicado, informa-se sobre os autores, encontra outros leitores etc. Já a criança da escola pública muitas vezes não tem livros em casa e só lê o que o professor pede. Ela não tem com quem comentar. Está sozinha nesse comércio das trocas simbólicas.
Qual é o mínimo necessário para o funcionamento de uma biblioteca escolar?
Estou convencido de que é a pessoa que trabalha ali, mediando relações entre a criança, a informação e o espaço. Não precisa ser alguém superespecializado, mas que compreenda a função da escrita e da imagem e que saiba qual é a importância daquilo na vida das pessoas. Assim, a compra de livros seguirá um critério de escolha consciente. É claro que é bom construir um ambiente agradável e funcional, mas não é indispensável, porque a leitura não depende das instalações da biblioteca; ela se dá em qualquer lugar.
Quem deve escolher o acervo?
Nós temos trabalhado um modelo em que a escolha é feita por todos os que participam dos processos de aprendizagem: professores, coordenadores, diretores e alunos. Formulários são colocados à disposição para que sejam feitas sugestões de compra. O infoeducador não só coleta esses dados como divulga, por meio dos quadros de aviso, as informações sobre lançamentos que saem na imprensa e na internet. Depois, ele vai analisar os pedidos, separá-los em categorias — livros importantes para os projetos em andamento, leituras de informação geral ou complementares etc. — e, com base nessas listas, a escolha é feita de acordo com os recursos disponíveis.
Como comprometer o aluno com a organização e a manutenção da biblioteca?
Ele participa da escolha do acervo e também pode estar pessoalmente representado nele, por meio de livros que ele escreve e de documentos de sua passagem pela escola. Uma parte do acervo vem da indústria cultural e outra é produzida internamente, com documentos e relatos referentes à história da instituição. Formar um repertório de dados locais cria relações com as informações universais.
Descreva a biblioteca escolar ideal.
É aquela que possui todo tipo de recurso informacional, do papel ao equipamento eletrônico. O espaço é construído especialmente para sua finalidade e de acordo com quem vai usar. Se o público majoritário é infantil, a disposição dos móveis e do acervo deve permitir que a criança se mova com autonomia. É preciso ser um local acolhedor, mas que empurre rumo à aventura, porque conhecer é sempre se deslocar.
Por que se diz que os jovens não gostam de ler?
Os interesses mudam na passagem da infância para a adolescência e a leitura que era feita antes já não interessa tanto, mesmo porque cresce a concorrência de outras mídias. Essa é uma transição crítica e ainda não foram definidas ações específicas para promover a leitura nessa faixa etária. Os adolescentes identificam o livro com as tarefas da escola, que reforça essa percepção porque raramente sai da abordagem instrumental da leitura. E no âmbito social, entre os amigos, a leitura não está presente. Mesmo assim, essa fase é a das grandes paixões. Portanto, há um espaço enorme para promover a leitura entre os jovens.
É possível formar leitores por meio de políticas públicas?
O problema é saber que caráter elas têm. Eu não concordo com estratégias que pretendam ensinar os alunos a gostar de ler. A função do poder público é criar ambientes que dêem condições de ler, tentar despertar as crianças para as potencialidades da escrita, prepará-las para as competências leitoras — enfim, providenciar para que seja constituída a trama que sustenta o ato de ler. Mas gostar de ler é questão de foro íntimo, não de políticas públicas.
A escola deve obrigar um aluno a ler livros e freqüentar bibliotecas mesmo que ele não goste?
Não se pode deixar de perguntar por que esse aluno não gosta de ler. Ele teve uma relação negativa com a situação de aprendizagem? Ninguém lê em casa? Tem dificuldades de visão? Não domina o código? Não tem circuitos culturais a sua volta? Tudo isso pode e deve ser trabalhado. Agora, se ele teve apoio para experimentar a prática da leitura e prefere fazer outras coisas, não adianta forçar. É claro que não estou falando da leitura funcional, indispensável para a vida diária. Nesse caso, é obrigatório negociar com a criança o "não querer ler".
É melhor ler literatura de má qualidade do que não ler nada?
A pergunta já supõe que de fato existe uma literatura de má qualidade. Há leitores que são capazes de voar longe com um suposto mau livro, assim como há muitos trabalhos escolares que se utilizam de grandes textos, mas sufocam o interesse de aprender. Por outro lado, não é possível deixar o gosto do leitor imperar sozinho. É fundamental operar mediações entre as crianças e uma literatura que tenha condições de produzir significações importantes.
O uso do livro em sala de aula está em decadência?
Ele está aquém do que gostaríamos que fosse e também do que seria necessário. Mesmo assim, o livro está entrando nas escolas numa medida que não entrava, nem que seja por meio das distribuições feitas pelo Ministério da Educação e as secretarias estaduais e municipais. Há 50 anos nem sequer se sonhava com isso no Brasil. O problema maior é o de mau uso desses livros, com estratégias impositivas de leitura. Muitas vezes falta penetrar no avesso dos textos com as crianças e realmente mergulhar numa viagem de conhecimento, de imaginação.
Até que ponto as bibliotecas levam ao hábito da leitura?
Eu participei de uma pesquisa feita com as crianças usuárias das redes de biblioteca que ajudei a implantar no estado de São Paulo. Queríamos saber se elas estão incorporando a leitura a sua prática de vida e não apenas como lição de casa. Qual é a constatação? Houve um grande avanço e as crianças se mostram muito mais familiarizadas com os livros, mas infelizmente ainda não usam as novas competências para trocas culturais. Por exemplo: não têm o hábito de comprar e emprestar livros. A prática escolar não se transferiu para a prática cultural.
Há perspectiva de mudança para essa situação?
Eu vejo uma tendência de funcionalização. Os meios eletrônicos trouxeram, aparentemente, uma presença maior da escrita, mas o uso que se faz dela é cada vez mais abreviado. Vai-se transformando a língua no elemento mínimo para a transmissão da mensagem. Nós estamos a anos-luz de formar pessoas que, ao cabo do período de escolaridade, vão se relacionar com a escrita como uma ferramenta de conhecimento e de experiências estéticas, numa dimensão não pragmática. Restringir as ferramentas de linguagem a sua função utilitária é retirar de nós mesmos aquilo que nos humaniza — a capacidade de dizer de uma forma articulada. As novas bibliotecas têm de enfrentar essa questão.