26 de set de 2016

Evento: congresso da IFLA no Brasil

Candidatura do Brasil para sediar a IFLA 2018
A FEBAB participou do processo de seleção para escolha da sede do Congresso Anual da International Federation of Library Association (IFLA). Esse processo iniciou-se em 2015 com a entrega de um conjunto de documentos exigidos para a escolha. Após isso tivemos uma série de visitas à cidade de São Paulo além de reuniões com entidades e governos (local, estadual e federal). Fizemos um trabalho criterioso que foi muito elogiado pelo Comitê de Seleção, porém não fomos escolhidos para o ano de 2018.  Na nossa percepção as razões foram internas da IFLA, isso foi de certa forma foi reiterado nas reuniões ocorridas em Ohio (EUA). A FEBAB pela primeira vez inscreveu de fato o Brasil, apresentando São Paulo como cidade sede. Todo esse processo fez com que a FEBAB ganhasse mais experiência, sentimos que pudemos mostrar à IFLA um pouco mais sobre a realidade da América Latina e, é claro de nosso país.   Sem dúvidas estaremos mais preparados para novas candidaturas. A FEBAB entende que a realização do Congresso anual da IFLA poderá trazer visibilidade às pautas das bibliotecas perante os Governos e a sociedade civil.

Fonte: FEBAB Informa. Data: 23/09/2016.

Noite na biblioteca

Fonte: Jornal do Vale Itapocu (SC). Data: 26/09/2016.
A Biblioteca Pública Rui Barbosa abriu inscrições para a nova edição da iniciativa "Uma Noite na Biblioteca - Dormindo com os Livros", que acontece nos dias 21 e 22 de outubro. Crianças de 8 a 10 anos podem participar. O número é limitado a 35 inscrições que devem ser feitas diretamente na Biblioteca, na Getúlio Vargas, em frente ao Shopping Jaraguá. As crianças serão recebidas a partir das 19 horas do dia 21 e permanecerão no ambiente até as 10h do dia seguinte.

Na programação constam contação de histórias, atividades de recreação e refeições. A finalidade é proporcionar aos pequenos momentos de descontração junto aos livros e à leitura de forma agradável e divertida, desenvolvendo o hábito e o gosto pela literatura. Apenas uma criança por família residente em Jaraguá do Sul pode participar. Quem já participou de edições anteriores está excluído, como também filhos e parentes de servidores da Fundação Cultural.

Evento: Desenvolvimento de coleções

IV REUNIÃO NACIONAL DO COMITÊ BRASILEIRO DE DESENVOLVIMENTO DE
COLEÇÕES – CBBU/FEBAB
Local: XIX SNBU
Tropical Manaus Ecoresort
Av. Coronel Teixeira, 1320 ‐ Ponta Negra
Manaus ‐ AM
Data: 17 de outubro de 2016, segunda‐feira
Horário: 8h30 às 12h00
8h30 – Abertura oficial (Presidente da CBBU)
8h40 – Construindo a Gestão CBDC 2016‐2018
9h – GT Livros Impressos: apresentação da pesquisa: “Mapeamento dos procedimentos de aquisição de materiais informacionais das Instituições de Ensino Superior no Brasil” (Marcello
Mundim Rodrigues e Mari Montana – UFSM)
10h – Serviços e Soluções para Biblioteca: aquisição de livros estrangeiros impressos e eletrônicos (Jonathan Contes – EBSCO)
10h20 ‐ Aquisição para o Desenvolvimento de Coleções Eletrônicas (Lenise Di Domenico – UFRGS)
11h ‐ GT E‐books: resultados da pesquisa: “Mapeamento do uso de e‐books pelas bibliotecas
Universitárias Brasileiras”. (Carlos Nascimento – UFPA e Lenise Di Domenico – UFRGS)

11h30 – Relato de pesquisa: “Trajetória histórica do CBDC e aprendizagem gerada aos seus membros” (Katiussa Nunes Bueno – UFRGS)

Biblioteca de uma das escolas municipais mais tradicionais de Vitória está fechada há cinco meses

Autoria: Henrique Alves.
Fonte: Século Diário (Vitória, ES). Data: 18/0/2016.
Por falta de bibliotecários, a biblioteca da Escola Municipal de Ensino Fundamental Éber Louzada Zippinotti, em Jardim da Penha, está fechada há cinco meses. A bibliotecária responsável aposentou-se em abril, mas a Prefeitura de Vitória não abriu processo de contratação para substituto. O processo só foi aberto este mês, após denúncia da Associação de Moradores de Jardim da Penha (Amjap).
O motivo do fechamento preocupou pais de alunos, diz Fabrício Pancotto, presidente Eventoda Amjap. “Há algum tempo, a biblioteca também ficou fechada, mas por causa de uma goteira. Uma fatalidade”, diz. O fato, agora, passa a impressão de falha de gestão da Secretaria Municipal de Educação (Seme), que não se planejou para a aposentadoria da servidora. 
Com pouco mais de 600 alunos, a Éber Louzada é uma das instituições municipais de ensino mais tradicionais de Vitória, referência em educação pública. Mas, segundo Pancotto, atividades escolares estão prejudicadas. “A escola, por exemplo, não consegue executar atividades pedagógicas relacionadas à leitura. Quem quer doar livro também não consegue. Não há pessoal para realizar a catalogação”, diz. 

O fechamento da biblioteca preocupa mais ainda professores e alunos, que veem projetos literários, de leitura e de pesquisas serem interrompidos. Nas séries iniciais, uma biblioteca fechada pode prejudicar também o processo de aprendizagem das crianças.

19 de set de 2016

Manuela Silva: “o importante é que a leitura permaneça”

Fonte: Expresso (Portugal). Data: 17/09/2016.
Tinha dez anos quando entrou pela primeira vez numa biblioteca escolar. Foi em Sá da Bandeira, Angola (atual Lubango). Estava no primeiro ano do Liceu Diogo Cão e apaixonou-se de imediato por aquele sítio. Para grande desgosto, a biblioteca fechou de um dia para o outro. Só voltaria a pôr o pé numa biblioteca escolar já na Faculdade, em Portugal. Recorda o deslumbramento que sentiu diante do esplendor da Biblioteca Nacional, da biblioteca da Gulbenkian ou do Palácio Galveias... "Com uma biblioteca escolar como as que existem hoje, teria ido muito mais longe nos meus conhecimentos", assegura. A Rede de Bibliotecas Escolares surgiu em 1996, no primeiro mandato de António Guterres, para combater os índices da baixa literacia dos portugueses e para corresponder a uma abordagem cada vez mais multimédia do saber.
Passam 20 anos desde a criação da Rede de Bibliotecas Escolares. Quantas existem hoje no país?
No total, são 2426 bibliotecas. Neste momento, temos todas as escolas básicas e EB 2, 3 na Rede. Esta aparece porque as escolas percebem que deviam diversificar a sua oferta em termos de outros suportes e fontes de saber. Lendo o que já se fazia a nível internacional, caminhou-se para basear a aprendizagem na investigação, na pesquisa da informação, não apenas impressa. Já se sentia a necessidade de ter bibliotecas escolares em todas as escolas.
Há uma biblioteca escolar em cada escola do país?
As escolas não são entendidas com um todo, são entendidas como agrupamentos. Hoje, cada agrupamento tem, pelo menos, uma biblioteca escolar. Mas há agrupamentos, como no Porto, com nove bibliotecas escolares.
Quais as principais vantagens ou alterações que a Rede de Bibliotecas Escolares veio trazer?
Sobretudo, alertar para a importância da leitura, que é a base de sustento à aprendizagem e ao conhecimento. A temática da leitura ganhou outra expressão, atualizou-se. E as próprias metodologias de trabalho mudaram, o saber trabalhar a informação, pesquisá-la, criticá-la e aplicá-la às nossas necessidades. Alterou as formas de aprendizagem, diversificando-a, e fazendo-o em cooperação com a sala de aula.
O design e decoração das bibliotecas escolares, arejadas e modernas, foi repensado por algum arquiteto?
Foi criado um grupo de trabalho (com uma arquiteta envolvida, da Direção-Geral da Educação) e orientação para pensar e executar várias valências de base. Os primeiros espaços não foram construídos de raiz, foram adaptados para serem zonas diversificadas de leitura — uma parte mais informal, uma área de leitura digital, uma parte de leitura vídeo, de leitura áudio... Tornaram-se espaços mais flexíveis. É uma coisa dinâmica.
Conhece casos de alunos para quem as bibliotecas escolares tenham tido uma importância decisiva?
Para as conferências de dia 14 de outubro, “Vinte anos de Rede de Bibliotecas Escolares - Uma História com Futuro”, estamos a tentar selecionar cinco testemunhos para um painel com o Ricardo Araújo Pereira; e temos tantos e com tanta qualidade que não tem sido fácil... Contam que as bibliotecas fizeram imenso por eles, até na própria orientação profissional. Dizem que lhes proporcionou um conjunto de atividades, de trabalho em equipa e colaboração, que lhes abriu perspetivas a que talvez não tivessem acesso de outro modo.
Falamos de alunos de classes sociais mais desfavorecidas, que podem não ter internet em casa para pesquisar?
Sim, sim. Esses são os alunos que aderem mais, porque vão à procura do que não têm em casa. Temos escolas em zonas complicadas, de carências económicas significativas, e não imagina a quantidade de alunos monitores que se tornam voluntariamente quase funcionários da biblioteca... Na escola básica Galopim de Carvalho, em Queluz, são quase 80 alunos que se sujeitaram a um exame, a formação, para serem monitores da biblioteca. Encontram ali um espaço seu, onde podem ser úteis e onde crescem.
Um dos principais desafios atuais das bibliotecas é concorrer com a tecnologia?
Não, elas incorporam-na de uma forma absolutamente natural. As primeiras bibliotecas já ofereciam cassetes VHS e davam acesso a um número obrigatório de computadores. Hoje, há outras iniciativas nesse sentido. Já foram atribuídos 2078 e-books às escolas; há ações, como a da Porto Editora, “Ler é cool”, com livros digitais próprios para aparelhos móveis, que as bibliotecas já têm.
Que estratégias usa a biblioteca escolar para atrair alunos?
Um dos pilares da rede foram sempre as parcerias. Nós nascemos em parceria, com as autarquias e as bibliotecas municipais. Associámo-nos, para ganhar força. Hoje, temos parcerias variadíssimas, por exemplo, com a Direção-Geral da Saúde, sobre a importância da saúde oral, com kits completos, que contêm livros e informação; com a Pordata, para trabalhar a literacia estatística, para os miúdos conhecerem melhor o país e o mundo; com universidades, para promover programas de investigação científica, que incluem experimentação, como “Newton gostava de ler!”; com a Biblioteca Nacional; com a SIC, sobre ciberbullying, a liberdade de expressão de redes sociais... Ou o programa "Todos Juntos Podemos Ler", de inclusão para alunos com necessidades educativas especiais. Os tablets têm junto deste público resultados muito frutuosos.
Qual a importância das parcerias?
A biblioteca é um espaço vivo, aberto à sociedade. A cooperação abre a escola a outras abordagens. Nunca conseguiríamos realizar tanto sem parceiros. E somos muito procurados.
O que é possível fazer para melhorar ainda mais as bibliotecas escolares?
Com alterações tão aceleradas na nossa sociedade, queremos que a biblioteca continue a ser um espaço de resposta às questões que vão surgindo. Queremos que seja um organismo vivo, que se adapte às alterações. Queremos proporcionar experiências de aprendizagem que tornem os alunos cada vez mais participativos, continuarmos a formar os professores bibliotecários, com formação específica na área das tecnologias, para que saibam dar respostas e ser inovadores. Atualizar as bibliotecas com coleções impressas e digitais, além de apetrechá-las com tecnologia. Torná-las espaços flexíveis. Garantir que são locais de produção de conteúdos. E que os miúdos têm ali um espaço para se tornarem melhores cidadãos.

Fala-se muito na eventual morte do livro. Acha que isso pode acontecer?
Não sei... No passado, tudo o que foi aparecendo, foi coabitando. É uma questão de suporte. Eu prefiro ler uma obra extensa em papel, mas já só consigo escrever em computador. O importante é que a leitura intensa de obras permaneça, independentemente de isso ser em papel ou no digital. É importante, porque a leitura é estruturante do nosso pensamento. Não há outra forma de aprender a não ser a partir da leitura — até da leitura de um filme, das imagens. A leitura no sentido amplo, com sentido crítico.

Bibliotecas terão programa de leitura para bebês e crianças de até 4 anos

Fonte: Portal do Governo do Estado de São Paulo. Data: 16/09/2016.
URL: http://saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia2.php?id=247628
Após sucesso na capital, iniciativa será implantada em outros dez municípios
 Quem passou pela experiência de ouvir histórias lidas pelos pais quando pequeno dificilmente esquece. Sem falar que essa atitude estimula o hábito de leitura por toda vida. Essa reflexão está presente no programa "Bebelê", que envolve bebês a partir de seis meses e crianças de até 4 anos de idade.
A iniciativa se baseia na teoria de Letramento Infantil (Early Literay), definida pelo National Institute of Child Heath and Human Development (NICHD), que enfatiza a importância do ato de ler e a interação com a leitura para o desenvolvimento infantil.
O programa foi implantado com sucesso na Biblioteca de São Paulo, em 2012, e Biblioteca Parque Villa-Lobos, em 2014, ambas na capital, e agora será desenvolvido em dez bibliotecas do Estado. Desde então, foram desenvolvidas 480 ações, com mais de 3.000 atendimentos.
Participam do projeto equipamentos das cidades de Auriflama, Birigui, Guararema, Jundiaí, Lençóis Paulista, Praia Grande, Presidente Prudente, Igarapava, Itapetininga e Ourinhos, que foram contemplados entre 34 bibliotecas de todo o Estado, inscritas em edital lançado pela Organização Social SP Leituras, em parceria com o Instituto Tellus. O concurso também contou com o apoio do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEb) e Secretaria da Cultura.
As instituições selecionadas iniciam agora a implantação do programa por meio da contratação de profissionais que participarão de oficinas em São Paulo para o processo de cocriação e desenvolvimento do projeto. Será um especialista por unidade.

Além disso, as bibliotecas receberão por doação um kit completo composto por acervo de livros-brinquedo, material pedagógico, tablets, TV, móveis e demais recursos para serem empregados nas ações.

Ações do Ministério da Cultura

Autoria: Cleide Soares.
Fonte: Facebook. Data:
Excelente iniciativa do novo Ministério da Cultura que escolheu nomear servidores efetivos, técnicos qualificados, para assumir o comando de nossa área de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas. Precisamos muito de uma gestão qualificada, com compromisso público, responsável, para dar conta da encrenca que deixaram nosso setor.
Virginia Bravo - bibliotecária, para Coordenação Geral do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas.
Martha Mouterde - especialista em Literatura - como Coordenadora Geral de Leitura, Literatura e Economia do Livro.

Destaca-se, como ponto super negativo, a nomeação de Gregório Borges Machado, embora efetivo, não tem a devida qualificação técnica para o cargo de Coordenador da Biblioteca Demonstrativa de Brasília. Ele não é bibliotecário. Não podemos ter uma biblioteca modelo, que está fechada, sob a coordenação de profissional de outra área.

Quando a mulher era proibida de ler livros

Autoria: Mario Sérgio Lorenzetto.
Fonte: Campo Grande News. Data: 25/08/2016.

URL: www.campograndenews.com.br/colunistas/em-pauta/quando-a-mulher-era-proibida-de-ler-livros

Em uma tarde de março de 415 d.C. uma mulher de 60 anos é tirada de sua carruagem por uma multidão enfurecida, em Alexandria, no Egito. Em seguida, é despida e tem sua pele e carne arrancadas com ostras (ou fragmentos de cerâmica, segundo outra versão). É destroçada viva pela turba alucinada. Já morta, arrancam seus braços e pernas. O cadáver é queimado em uma pira nos arredores da cidade. Era o fim da trajetória impressionante de Hipácia de Alexandria. Hipácia foi a primeira mulher de fama internacional no mundo da matemática, astronomia e da botânica. Hipácia foi a primeira intelectual de renome e imensa influencia. “As mulheres que leem são perigosas”, assim pensavam, e agiam, os homens por dezenas de séculos.
Somente no século XIX o livro se tornou comum para as mulheres. Foi, e continua sendo, sua maior arma para a conquista da liberdade, sua possibilidade de existência, de se lançar em novos horizontes.
Entre a mulher e o livro estabeleceu-se uma aliança. Com ele, ela podia desejar e imaginar um mundo para si própria. Gesto um tanto ousado – e perigoso. Daí os homens desejarem impedi-la de ler ou controlar o que liam. Até o século XIX, os homens marginalizavam as mulheres que liam, rotulando-as de neuróticas e histéricas. Sobretudo as mulheres que liam “demais”. A leitura permitiu que tomassem consciência do mundo. A leitura, esse ato tão íntimo, tão secreto, terminou por colocar a mulher para fora. Fora do núcleo familiar opressor. O vazio do mundo real foi tomado pela ficção.

Para quem vivia, e vive, na prisão do casamento sem amor, das regras sociais sufocantes, a leitura foi a possibilidade de viver em outro mundo que não o seu e, em seguida, mudar a própria vida. De adquirir prazer que lhe era negado. Um prazer solitário de início. Mas que passou à voz. E, depois um grito… de liberdade

Cientistas do MIT criam sistema que consegue ler livros fechados

Fonte: EExponews. Data: 12/09/2016.
Um novo sistema de imagens da MIT consegue ver através da capa de um livro e lê-lo.
O feito se dá graças, e principalmente, à radiação terahertz, a banda de radiação eletromagnética entre microondas e luz infravermelha, e as minúsculas lacunas de ar entre as páginas de qualquer livro fechado.
A radiação terahertz pode distinguir entre tinta e papel em branco de uma forma que os raios X não pode, e também oferece profundidade de resolução muito melhor do que o ultrassom.
O novo sistema protótipo desenvolvido por pesquisadores do MIT e da Georgia Tech usa uma câmera terahertz padrão para emitir rajadas de radiação ultracurtas e então medir quanto tempo leva para que a mesma seja refletida de volta. Um algoritmo, em seguida, mede a distância a cada uma das páginas do livro.
Alimentado com esses dados, o sistema utiliza duas medidas diferentes de energia das reflexões para extrair informações sobre as propriedades químicas das superfícies refletoras. Ao mesmo tempo, se “esforça” para filtrar o “ruído” irrelevante produzido ao longo do caminho. Dessa forma, consegue distinguir o papel com tinta do papel em branco, usando um algoritmo separado para interpretar as imagens muitas vezes distorcidas ou incompletas como cartas individuais.
Os pesquisadores testaram seu protótipo em uma pilha de papéis, cada um com uma letra impressa sobre ele, e descobriram que ele poderia identificar corretamente as letras sobre as nove folhas superiores.
O Metropolitan Museum de Nova York tem manifestado interesse no sistema como uma forma de examinar livros antigos sem tocá-los, disse Barmak Heshmat, um cientista da pesquisa no MIT Media Lab.

A tecnologia pode ser utilizada para analisar qualquer material organizado em camadas finas, tais como revestimentos de peças de máquinas ou de produtos farmacêuticos

16 de set de 2016

Cerca de 300 livros acessíveis serão disponibilizados em bibliotecas públicas

Fonte: Portal Brasil. Data: 12/09/2016.
A Casa Brasil sediou, no último domingo (11/9), o lançamento de 25 livros acessíveis, que fazem parte do projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas, do Ministério da Cultura (MinC). A ação foi executada pela Organização Não Governamental (ONG) "Mais Diferenças", selecionada por meio de edital lançado pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN).
O lançamento aconteceu durante o seminário Livro e Leitura para todos: formas e sentidos de ler. O projeto prevê o envio de 300 títulos acessíveis a 10 bibliotecas públicas (dois em cada região do País), incluindo os recém-lançados e 275 obras que já estavam disponíveis no mercado.
"Quase 24% da população brasileira tem algum tipo de deficiência. O número mostra que essa é a maior das minorias. É preciso criar uma cultura em que a acessibilidade seja vista como um valor", destacou a secretária designada da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Renata Bittencourt.
O seminário contou com mesa redonda entre especialistas e representantes do setor público sobre temas relacionados à produção de livros acessíveis, bem como disponibilização desse tipo de material em bibliotecas públicas, além de oficina sobre o tema. Os participantes compartilharam experiências e estratégias no campo da mediação da leitura para pessoas com diferentes tipos de deficiência.

O debate contou, ainda, com a participação da coordenadora-geral da ONG Mais Diferenças, Carla Mauch. "Temos que unir forças para garantir a democratização do acesso ao livro e à leitura", disse.

Universidade de Coimbra lança ferramenta de medição de leitura

Autoria: Hugo Séneca.
Fonte: Exame Informática. Data: 13/09/2016.
Poderá este texto ser lido a 55 palavras por minuto? A velocidade de leitura não é citada aqui por acaso: trata-se da velocidade mínima de leitura que serve de referência ao Programa de Português para o Ensino Básico – e é também uma das principais referências da ferramenta LetsRead - Automatic assessment of reading ability of children, que foi desenvolvida pelo Instituto de Telecomunicações (IT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e a Microsoft.
A nova ferramenta mede a velocidade de leitura em tempo real e está apta a detectar e quantificar «o número de palavras corretas, erros de pronúncia, hesitações, velocidade de leitura e outros indicadores, calculando de forma automática um índice global de capacidade de leitura do aluno», explica Fernando Perdigão, investigador que coordena o projeto, citado pelo comunicado da Universidade de Coimbra.
A nova ferramenta poderá ser disponibilizada na Internet a crianças, mas é no apoio aos professores e tutores que poderá fazer a diferença. Além de ajudar a perceber a capacidade de leitura dos vários alunos, a nova ferramenta poderá facilitar a detecção de casos mais problemáticos como os que derivam da dislexia. Os investigadores da Universidade de Coimbra garantem que a ferramenta está pronta para ser usada em cenário escolar, caso o Ministério da Educação tenha interesse.
«Para desenvolver este sistema inteligente, os investigadores recolheram gravações de leitura de cerca de 300 crianças em escolas primárias da região centro do país. Os textos que foram dados a ler aos alunos eram compostos por frases e pseudopalavras – palavras que não existem no léxico, mas que são pronunciáveis e importantes para avaliar se um aluno sabe realmente aplicar as regras do código alfabético para ler. Numa segunda fase, as crianças foram avaliadas por mais de 100 professores do Ensino Básico em todo o país para validar o sistema», informa o comunicado da Universidade de Coimbra.

O LetsRead foi criado a partir do trabalho que Jorge Proença, investigador da Universidade de Coimbra, levou a cabo durante uma tese de Doutoramento. O investigador recebeu, durante a 12.ª edição da conferência PROPOR – Processamento Computacional da Língua Portuguesa, o “Prémio Camões 2016 para as Tecnologias da Língua Portuguesa” pelo desenvolvimento desta plataforma que mede a capacidade de leitura.

Cientistas do MIT criam sistema que consegue ler livros fechados

Fonte: EExponews. Data: 12/09/2016.
Um novo sistema de imagens da MIT consegue ver através da capa de um livro e lê-lo.
O feito se dá graças, e principalmente, à radiação terahertz, a banda de radiação eletromagnética entre microondas e luz infravermelha, e as minúsculas lacunas de ar entre as páginas de qualquer livro fechado.
A radiação terahertz pode distinguir entre tinta e papel em branco de uma forma que os raios X não pode, e também oferece profundidade de resolução muito melhor do que o ultrassom.
O novo sistema protótipo desenvolvido por pesquisadores do MIT e da Georgia Tech usa uma câmera terahertz padrão para emitir rajadas de radiação ultracurtas e então medir quanto tempo leva para que a mesma seja refletida de volta. Um algoritmo, em seguida, mede a distância a cada uma das páginas do livro.
Alimentado com esses dados, o sistema utiliza duas medidas diferentes de energia das reflexões para extrair informações sobre as propriedades químicas das superfícies refletoras. Ao mesmo tempo, se “esforça” para filtrar o “ruído” irrelevante produzido ao longo do caminho. Dessa forma, consegue distinguir o papel com tinta do papel em branco, usando um algoritmo separado para interpretar as imagens muitas vezes distorcidas ou incompletas como cartas individuais.
Os pesquisadores testaram seu protótipo em uma pilha de papéis, cada um com uma letra impressa sobre ele, e descobriram que ele poderia identificar corretamente as letras sobre as nove folhas superiores.
O Metropolitan Museum de Nova York tem manifestado interesse no sistema como uma forma de examinar livros antigos sem tocá-los, disse Barmak Heshmat, um cientista da pesquisa no MIT Media Lab.

A tecnologia pode ser utilizada para analisar qualquer material organizado em camadas finas, tais como revestimentos de peças de máquinas ou de produtos farmacêuticos

15 de set de 2016

Novo número: Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação

A revista RBBD, Revista Brasileira de Biblioteconomia e Documentação, acaba de publicar seu último número, disponível em https://rbbd.febab.org.br/rbbd
Sumário
Editorial. Rosa Maria Fischi
Artigos
O bibliotecário e a editoração de periódicos científicos (2-26). Solange Alves Santana, Marivalde Moacir Francelin.
O incentivo da leitura na biblioteca escolar (27-44). Diego Salcedo, Jailiny Stanford
Extensão Bibliotecária no Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo (45-69). Juliana Ferreira de Araujo, Marivalde Moacir Francelin.
Atualização e complementação do acervo bibliográfico de bibliotecas especializadas em Ciências Agrárias (70-88). Carmelita do Espirito Santo, Cláudia Regina Delaia Machado
Recursos físicos hospitalares no Brasil: um estudo bibliométrico (89-109). Patrícia Bover Draganov, Ricardo Quintão Vieira, Maria Cristina Sanna.
Entrevistas
Os rumos da comunicação científica na área da saúde (110-114). Carmen Verônica Mendes Abdala.
Resenhas

CUNHA, Murilo Bastos da; AMARAL, Sueli Angelica do Amaral; DANTAS, Edmundo Brandão. Manual de estudo de usuários da informação. São Paulo: Atlas, 2015. 448 p. (115-117). Rossanna dos S. S. Rubim.

Na onda do Pokémon Go, livros apostam na realidade aumentada

Autoria: Bolívar Torres.
Fonte: O Globo. Data: 14/09/2016.
A mesma tecnologia que permite a jogadores caçarem criaturas virtuais pela cidade pode ser a solução para dinamizar um mercado editorial em crise no país. Surfando na onda do Pokémon Go, editoras investem cada vez mais na utilização da realidade aumentada em suas publicações. O recurso não é novo — vinha sendo utilizado sem muito alarde em obras físicas e digitais desde 2008 — mas ganha força à medida que é aperfeiçoado e invade progressivamente nossas vidas. Quem comprou a aposta, garante: chegou a hora e a vez da realidade aumentada na indústria do livro.
Seja na ficção, no didático ou no infantil, as possibilidades são múltiplas, desenvolvendo elementos gráficos em 3D, vídeo e interações entre o virtual e o real. O princípio é o mesmo que o do famoso jogo dos bichinhos japoneses, só que a serviço da leitura. Pela mediação de tablets e smartphones, personagens saem da página e ganham vida, cenários fixos viram mundos virtuais quase palpáveis, e a apresentação interativa de conteúdos difíceis como matemática ou ciência tornam o aprendizado mais lúdico e atrativo.
— Com a febre mundial do Pokémon Go, houve uma popularização da tecnologia, o que sinaliza o óbvio: se já está sendo assim nos games, será assim com os livros — avalia Josué Matos, da editora PenDragon, que exibiu na última Bienal de São Paulo, encerrada no sábado passado, publicações com a tecnologia em seu estande.
Seus mais recentes lançamentos (como a fantasia “Adelphos — A Revelação”, de M. Pattal) incluem interações em 3D entre público e obra. Os próximos prometem ir mais longe, oferecendo mapas virtuais em romances de fantasia e personagens animados saltando dos livros e brincando com os leitores.
— Felizmente o uso da tecnologia em um jogo mostrou o caminho para a união perfeita entre imaginação e realidade — diz o editor. — Saber fazer uso dessa tecnologia colocará definitivamente os livros de ficção, ou de qualquer outro gênero, como ferramenta lúdica, com potencial para mudar o mundo.
Por enquanto, as iniciativas atuais nesse sentido envolvem principalmente os universos didático e infantil. Também na última Bienal, a DSOP, especializada em educação financeira, exibiu o seu “Diário dos sonhos”, de Reinaldo Domingos (com ilustrações de Bruna Assis Brasil). O livro traz desafios animados, em que cenários e personagens saltam das páginas para ensinar crianças sobre o uso de dinheiro.
Presidente da DSOP, Reinaldo Domingos aponta diversas razões na demora para a ferramenta ganhar a indústria como um todo — e de continuar sendo ainda apenas uma aposta no mercado editorial.
— O custo de criação ainda é relativamente alto em relação ao processo de criação de um livro, o que torna um investimento arriscado — diz ele. — Tem também o fato de ser uma ferramenta relativamente recente. Contudo, tenho certeza que essa será uma tendência para o mercado de editoras, pela necessidade cada vez maior de integrar o livro físico com novas tecnologias, para sobreviver a uma evolução natural da comunicação.
Fundador da Ovni Studios, um estúdio independente de games, Tiago Moraes desenvolveu, no final do ano passado, o projeto “Perônio”, que junta a dinâmica dos livros animados com a interatividade digital das telas sensíveis, e foi um dos primeiros lançamentos na linha híbrida 3D, realidade virtual e aumentada. Ele acredita que, só agora, os dispositivos móveis ideais para este tipo de experiência passaram a oferecer a performance necessária para a difusão da tecnologia.
— Por muito tempo se usou a webcam dos computadores para experiências de realidade aumentada, mas é fácil entender que os computadores e notebooks não eram os dispositivos ideais para este tipo de experiência — explica Moraes. — Antes do Pokémon Go, a grande maioria das pessoas não fazia ideia do que se tratava. Agora, ao serem confrontadas com esse termo, já associam ao jogo e sabem do que se trata. Devido à popularidade do aplicativo, outros estão tentando surfar na onda da realidade aumentada, pois o mindset das pessoas muda e as oportunidades aparecem.
Segundo Moraes, novas tecnologias demoram para chegar ao consumo de massa. A partir de agora, contudo, a realidade aumentada tende a evoluir de forma rápida — e quem souber aproveitá-la melhor deve sair na frente.
— A tecnologia de hoje tenta fazer com que tudo esteja dentro de nossos celulares. Muitas das coisas que fazíamos nos computadores são feitas nos celulares, como e-mails, redes sociais, GPS, fotos e entretenimento de forma geral — diz. — Em um período curto, tudo estará nos celulares, computadores e TVs deixarão de existir.
“LIVROS INFANTIS SAEM NA FRENTE”
Com tese de doutorado sobre novas narrativas em mídias, a professora e coordenadora do curso de Jornalismo da Eco-UFRJ Cristiane Costa acredita que, de todas as novas estratégias para os livros animados, a realidade aumentada é a que tem mais possibilidade de vingar. Uma de suas principais vantagens em relação ao livro pop-up, que cria animações em dobraduras por meio de um complexo trabalho com o papel, é que ela não demanda os altos custos de impressão.
— Embora tenha uma linguagem única, a realidade aumentada é uma evolução dessa estética que já existia no impresso com os livros pop-up — explica. — Seu desenvolvimento a popularizou e aumentou o nível de interatividade.
Depois de pesquisar o assunto com Cristiane na UFRJ, a produtora editorial Aline Pina passou a editar um site sobre as novidades do uso da tecnologia nos livros. Segundo ela, os grandes grupos editoriais no Brasil continuam alheios às inovações nesse campo, que estão sendo introduzidas no mercado principalmente por editoras independentes, startups e agências de publicidade.

— Um bom projeto com realidade aumentada precisa ter um projeto gráfico pensado para o digital, que explore ao máximo as interações e as possibilidades oferecidas pelo conteúdo multimídia, e que esteja intimamente ligado com o conteúdo do impresso ou do aplicativo — opina Aline. — Atualmente, os livros infantis saem na frente porque têm maior apelo com as imagens, é mais fácil adaptar as histórias às animações. Estes livros são como brinquedo nas mãos das crianças, elas adoram. Nos didáticos, o uso da ferramenta torna o conteúdo mais fácil de vivenciar e aprender, mais empírico, construindo um novo entendimento baseado nas interações com objetos virtuais que trazem um material complementar e de fixação das aulas.

Missão árdua para o Conselho de Cultura

Fonte: Folha PE. Data: 14/09/2016.
A bibliotecária Juliana Albuquerque foi recentemente eleita titular de Literatura do Conselho Estadual de Cultura, grupo formado por 40 membros empossados no último mês de junho e que têm a missão de ampliar a participação da sociedade civil na formulação das políticas públicas. Reunido nesta terça, o Conselho conclui a construção de seu regimento interno e parte para a lida efetiva, que inclui reaver verbas destinadas à Cultura que foram realocadas para outros fins dentro do orçamento do Estado. Junto com outros membros do Conselho, Juliana assina carta de repúdio contra o corte de R$ 780 mil para a implantação do Sistema Estadual de Cultura, R$140 mil da Valorização do Livro, da Leitura e da Biblioteca, e R$ 230 mil da Implantação de Ações Culturais no Pacto pela Vida. “Fizemos a carta porque, enquanto conselheiros, não poderíamos deixar passar”.
Verba para a Cultura
Em uma das reuniões, essa questão foi conversada. O secretário (Marcelino Granja) apresentou alguns slides de orçamento, que ainda serão enviados para nós para que possamos retomar essa discussão. A gente questionou esse corte tão grande para garantir um direito que existe há tanto tempo (R$ 1,150 milhão remanejados para pagamento de auxílio funeral dos servidores do Estado, parte do orçamento da Cultura). Outros cortes maiores aconteceram, mas estamos discutindo ainda. O secretário disse que vai haver devolução de parte desse dinheiro, algo em torno de R$ 400 mil. Não é nada comparado ao todo, mas ele explicou que os cortes foram gerais. Não sei se há (valores garantidos para atividades do Conselho). O que se discutiu foi se nós, conselheiros, receberíamos ou não. Eu não concordo porque somos uma instância de controle social e é complicado que recebamos para estar lá. As coisas ficariam confusas, como se o Governo estivesse nos pagando para estarmos lá.
Planejamento de atuação
Entre as propostas da minha campanha eleitoral  estão o estímulo a políticas de formação em escrita criativa, a criação de um fundo exclusivo para o setor de livro, leitura, literatura e bibliotecas (um Funcultura setorial, como existe para o audiovisual) e investir na construção do Plano. Algumas coisas já estão caminhando. As escutas têm acontecido, inclusive no Interior, e são elas que vão formar o Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas, até para que todos se sintam incluídos. No momento aguardamos da Secretaria de Cultura o lançamento de um edital para convocar as pessoas para escrever esse plano.
A ideia é que essas escutas deem a base para identificar onde estão as maiores deficiências. A gente sempre pede que se fale a verdade, avisa que o material não vai vazar, porque se as pessoas camuflarem a realidade, estarão dizendo que está tudo bem e a gente não vai ter o que construir. Já sabemos que algumas bibliotecas funcionam puramente por iniciativa dos funcionários, por exemplo.
Relação com entes públicos

Com o Governo do Estado, com o secretário Marcelino Granja, o diálogo é melhor do que com a Prefeitura do Recife. As verbas para bibliotecas do Estado são vinculadas à Secretaria de Educação, mas as da Prefeitura do Recife estão na Segurança Urbana. Isso afeta porque nesta quarta temos um secretário, Murilo Cavalcanti, sensível às bibliotecas, mas as eleições estão aí e tudo pode mudar. Ele vê nas bibliotecas um apoio para a segurança, e pegou para ele. É o único lugar do Brasil que eu conheço onde as bibliotecas não estão nem com Educação nem com Cultura. Existe a biblioteca do Estado de Pernambuco (próxima ao Parque Treze de Maio) que foi recentemente reformada e está funcionando, e foram reabertas as de Afogados, de Casa Amarela e a do Compaz do Alto Santa Terezinha, todas no Recife.

Brasileiro cede manuscrito "perdido" de Borges a biblioteca argentina

Fonte: UOL. Data: 13/09/2016.
A Biblioteca Nacional Argentina ampliou nesta terça-feira (13) sua exposição de manuscritos inéditos do escritor Jorge Luis Borges, inaugurada em julho, depois de ter recebido de um colecionador brasileiro o manuscrito original de um conto do autor considerado perdido até agora.
Durante uma viagem profissional a São Paulo, o diretor do órgão, Alberto Manguel, se encontrou com o economista e historiador Pedro Corrêa do Lago, que o mostrou uma coleção "absolutamente impressionante" na qual estava o manuscrito de "A Biblioteca de Babel", de Borges, escrito sobre nove folhas arrancadas de um caderno de contabilidade e repleto de correções.
"Ele era muito generoso com suas coisas e as presenteava. Por isso, muitas coisas acabaram nas mãos de diversos livreiros, como as do americano John Wronoksi, que vendeu o documento ao colecionador brasileiro", disse Manguel em entrevista à agência Efe.
Após descobrir esse "grande tesouro" em São Paulo, Manguel pediu o manuscrito emprestado a Corrêa do Lago para ampliar a mostra "Uma lógica simbólica", que está em exibição desde julho na Biblioteca Nacional e reúne 17 manuscritos originais e inéditos de Borges (1899-1986), pertencentes a coleções públicas e privadas.
"Vou devolvê-los, a não ser que sofra um lapso de moral e decida roubá-los para a biblioteca", brincou o diretor, lamentando, no entanto, o fato de a entidade não ter perdido a "oportunidade" de comprar essas obras, "uma parte fundamental da memória histórica e cultural da Argentina".

Segundo o diretor, os manuscritos são essenciais para conhecer os processos mentais do autor e entender seu estilo, caracterizado por uma grande qualidade técnica e por sua preocupação em encontrar as palavras exatas. "É comovente porque tudo isso começou em um suporte tão humilde como folhas de contabilidade, que custaram poucos centavos", afirmou Manguel.

10 de set de 2016

Semana Internacional de Acessibilidade e Cultura é aberta na Biblioteca-Parque Estadual

Fonte: Sopa Cultural. Data: 9/09/2016.
A Biblioteca-Parque Estadual, um espaço da Secretaria de Estado de Cultura, recebeu nesta quinta-feira, 8/09, representantes de diversos países para a abertura da I Semana de Acessibilidade e Cultura que acontece de 9 a 15/09 nas Bibliotecas-Parque Estadual e de Manguinhos. Estiveram presentes no evento embaixadores, ministros e artistas das nações da Suécia, da Coreia, da Alemanha, da França, da Grã-Bretanha, dos Estados Unidos, e a Chefe-adjunta da Delegação da União Europeia no Brasil, além da Secretária de Estado de Cultura, Eva Doris Rosental, que iniciou o encontro ratificando o compromisso da pasta com o tema da acessibilidade.
“Não podemos pensar nesse assunto como um tópico apenas da área da Saúde ou da Educação, mas como um assunto transversal, que cruza todas essas áreas – inclusive a Cultura. Por meio da Cultura promovemos a inclusão social, ponto de extrema importância quando falamos de acessibilidade. Estamos reunidos hoje com representantes de vários países que já são referência no tema para que possamos aprender com eles como trilhar este caminho”.
Em seguida, Eva passou a palavra a Gabriele Lösekrug-Möller, vice-ministra parlamentar do Ministério do Trabalho e Social da República Federal da Alemanha, que agradeceu o convite e elogiou a Biblioteca-Parque Estadual por sua tecnologia de ponta e seu alcance ao público, especialmente a população em situação de rua que frequenta o espaço.
“Entrar em um lugar como este é emocionante. Quando utilizamos o termo inclusão em acessibilidade, nos referimos a algo que toda a sociedade possa participar, e aqui todas as pessoas têm acesso a um impressionante acervo de filmes, jornais, livros e revistas, com os equipamentos necessários para ajudá-los a embarcar nessa jornada pelo conhecimento e superar suas barreiras. As primeiras barreiras estão nas cabeças das pessoas, então trabalhar a mente é fundamental para que possamos vencer as diferenças”.
Também falaram o embaixador da França no Brasil, Laurent Bili; a ministra sueca para Infância, Terceira Idade e Igualdade de Gênero, Åsa Regnér; o diretor do British Council Brasil, Martin Dowle; o cônsul dos Estados Unidos no Brasil, James Story; a Chefe-adjunta da Delegação da União Europeia no Brasil, Claudia Gintersdorfer; e o embaixador da Coreia, Jeong Gwan Lee, que apresentou o artista coreano Kim Gen-Tae e explicou um pouco da relação entre o tema acessibilidade e sua exposição “Como Flores e Estrelas”, em cartaz na Biblioteca-Parque Estadual até o dia 30/09.
“No idioma original utilizamos a expressão “flores selvagens”, um tipo de vegetação facilmente encontrado na Coreia, que embeleza a paisagem em nosso país. Infelizmente, como são muito comuns, as pessoas não reparam nessas plantas e não apreciam seu encanto. O artista usa essa metáfora para falar sobre as pessoas com deficiência: Nós precisamos prestar atenção nesses indivíduos, precisamos enxerga-los como participantes em nossa sociedade?
Após a mesa de abertura, os representantes dos países que participam da Semana de Acessibilidade e Cultura fizeram uma visita guiada com a Secretária de Estado de Cultura e com a Superintendente da Leitura e do Conhecimento, Vera Schroeder, que falou sobre os esforços feitos para transformar a Biblioteca-Parque Estadual, desde sua reabertura, em um espaço de referência quando o assunto é acessibilidade.
“A biblioteca foi toda reformada, observando e atendendo a vários itens espaciais em sua arquitetura para que ela seja, de fato, uma biblioteca bastante acessível. Desde 2014, quando foi reinaugurada, foram realizados diversos cursos que qualificam seus funcionários para que eles possam acolher melhor o público, sem preconceitos, sem diferenças que impeçam todas as pessoas de terem acesso à informação. Esse é um trabalho constante, que culminou com a passagem da tocha Paralímpica, e que irá continuar com a I Semana Internacional de Acessibilidade e Cultura que vai até o dia 15/09. A presença de todos é muito importante para que possamos ampliar esse debate”.

A I Semana Internacional de Acessibilidade e Cultura é uma realização da Superintendência da Leitura do Conhecimento da Secretaria de Estado de Cultura, do Instituto Goethe e do Instituto Francês do Brasil, e conta com a parceria da Embaixada da Suécia, da Missão Diplomática dos EUA no Brasil, do British Council, da Embaixada da República da Coreia e da União Europeia no Brasil.